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Rotas do Mundo

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Um ano depois do colapso do BES - insider pointview

Agosto 03, 2015

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Parece mentira mas é verdade, já passou um ano desde o dia do Colapso.

... E Tudo se avizinhava calmo... Apesar das muitas notícias que circulavam na imprensa e de boca em boca, iria entrar mais um mês de Agosto, onde por norma o fluxo dos balcões em Lisboa acalma um pouco.

O aumento de capital do Banco Espírito Santo tinha sido um sucesso, mas o valor das ações caíra drasticamente e debatia-se a credibilidade e continuidade do banco. Naquela sexta-feira final de Julho, no final de um dia de trabalho por volta das 19 horas, em jeito de brincadeira com os meus colegas disse: como isto está segunda-feira o banco está fechado.

Não sei se seria intuição, se eram artes mágicas ou de magia negra, mas a verdade é que nesse fim de semana as noticias multiplicaram-se, o desastre aconteceu, e no primeiro Domingo de Agosto de 2014 era criado o Novo Banco, depois da separação das águas, da intervenção do Banco de Portugal e do fundo de Resolução.

Tenho a certeza que nunca existiu um Domingo em que todos nós empregados do antigo BES pensássemos tanto no nosso banco, na nossa história e principalmente no nosso futuro.

Naquela segunda-feira foi o caos, quando as portas se abriram às 8 e meia da manhã as filas davam a volta ao quarteirão, os nossos clientes apesar de na sua maioria estarem salvaguardados com toda a situação criada, estavam com medo, receio, tinham incerteza quanto ao futuro, ao nosso, ao deles, ao do banco, ao do país.

E nós, empregados deste Novo Banco com muita pouca informação abrimos as portas e demos o peito às balas. Antes de dormir despimos a camisola do BES e nessa segunda-feira vestimos a camisola Nova, uma camisola de uma equipa forte e unida, das melhores do mercado, mas sem técnico, sem presidente, sem ninguém.

Costuma-se dizer que em caso de naufrágio os ratos são os primeiros a abandonar o barco. Pois qual será o animal que em plena tormenta, com o barco praticamente afundado salta lá para dentro? Não sei, mas tenho a certeza que nesse dia, eu e os meus 5999 colegas assumimos um lugar no leme deste navio, um navio sem comandante, um navio perdido em marés enormes, um navio que tinha um mundo a puxá-lo para baixo mas que tinha marinheiros que se agarraram à Esperança.

Aquele que podia ser um mês calmo, foi sem dúvida o pior mês de trabalho da minha vida. As perguntas que não sabíamos responder, a calma que tínhamos de manter quando toda a gente estava em pânico, incluindo nós, algumas almas que desesperavam, outras que não aguentavam a pressão e acabavam em choro. Eu vi isto tudo, eu vivi isto tudo, mas parece que sobrevivemos.

Hoje, um ano depois, ainda não sabemos o nosso futuro, sabemos que por meados deste mês havemos de ter novos acionistas, chineses ou americanos, que vamos ter muito trabalho pela frente para voltarmos a ser o banco privado numero 1 de Portugal, mas aquilo que manteve este banco vivo fomos nós e todos os clientes que acreditaram, por isso acho que vamos triunfar.

Hoje para mim é dia de festejar a coragem destes trabalhadores. Parabéns a nós.

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 Nascer com o empenho de 6000 colaboradores foi a salvação.

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