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Rotas do Mundo

Pedro around the World... My life, my dreams, my favourite things

Breve história de Amesterdão e da Holanda

Março 11, 2018

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O nome da capital dos países baixos está diretamente ligado ao rio Amstel, o seu nome “Aemstelredamme” significa dique do rio Amstel, e surgiu obviamente devido à criação do dique deste mesmo rio que permitiu a criação da cidade. Desde sempre que o rio, os canais e a água estão diretamente ligados a Amesterdão.

 

Em 1125, surgem os primeiros pescadores que se instalaram na foz do rio Amstel e construíram cabanas e aterros para proteção das cheias. O rápido crescimento da população e da importância dos lordes da cidade fizeram com que se iniciasse uma séria de conflitos feudais entre estes e os condes da Holanda.

 

1275, é uma data que celebra o fim das portagens. O Conde Floris V da Holanda, que entretanto governara o território, concedeu aos seus súbditos isenção de portagens no transporte de mercadorias pelo rio através de Haia. Esta ação permite um maior desenvolvimento e procura comercial pela cidade e consequente o aumento da sua importância.

 

O Milagre de Amesterdão em 1345, trouxe à cidade peregrinos e a importância da igreja. Reza a história que numa casa em Kalvestraat um padre deu os últimos sacramentos a um moribundo, este não conseguiu ingerir a hóstia e por isso lançaram-na ao fogo. No dia seguinte encontraram-na intacta. O corpo de Cristo que supostamente não derretera no fogo deu importância religiosa à cidade.

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1519 é o ano em que Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e primeiro de Espanha, herda de sua avó a casa de Habsburgo, casa esta que nos tempos medievais dominava os condados da Holanda. Amesterdão devido à sua ligação ao mar e ao rio torna-se num importante porto para este rei, e com a chegada dos países do Novo mundo espanhol, esta cidade torna-se o segundo porto comercial mais importante da Europa, só ficando atrás de Lisboa.

 

1566 é o ano que marca a mudança e a revolução, cansados do rei católico espanhol e do aumento do protestantismo dá-se uma série de rebeliões em todos os países baixos que destroem igrejas. No entanto, Amesterdão já primando pela liberdade e tolerância manteve-se um pouco à parte desta revolução. Apenas em 1578 se verifica a instalação do protestantismo como religião na cidade numa manifestação pacífica a que chamam de Alteração chefiada por Guilherme de Orange, desde essa data que a cidade torna-se numa capital protestante de uma república holandesa proibindo o culto católico em público mas tolerando o culto em privado.

 

1609 é o ano que marca o inicio da Era de Ouro de Amesterdão, uma era onde a riqueza chegou em força à cidade e com ela os vários movimentos arquitetónicos e artísticos que transformaram a cidade num berço de arte. Criam-se novos canais e casas luxuosas nas suas margens – Grachtengordel – considerado hoje em dia pela Unesco como Património Mundial. Erguem-se nomes como Rembrandt e Hendrick.

 

1634 é o ano que marca a entrada da cotação da tulipa na bolsa de Amesterdão. Começa a época da “tulipomania” com a importação dos bolbos da Ásia desde os finais do século XVI, a flor torna-se numa fonte de negócio e riqueza por toda a Holanda.

 

Durante todos os anos de presença protestante Amesterdão era a capital de uma república de 7 províncias unidas dos países baixos. Esta situação perdurou até 1806 quando Napoleão Bonaparte conquista o país e o torna num reino – o reino dos países baixos – e instalou o seu irmão Luis Napoleão como seu rei.

 

Esta situação durou apenas 5 anos devido à má governação de Luís e em 1810 o reino dos Países Baixo passa a integrar o grande império francês de Napoleão.

 

Com a Guerra de Waterloo em 1815, assiste-se à divisão do império napoleónico pelos anteriores sucessores, criando assim o Reino dos Países Baixos (que até 1830 contava com a Bélgica e o Luxemburgo) e devolvendo o reino à coroa holandesa aos príncipes de Orange e surgindo o rei Guilherme I – casa real que hoje em dia ainda governa a cidade e o país.

 

Desde essa data até 1940, uma secessão de reis e rainhas governaram o país sempre permitindo a máxima tolerância e liberdade, tendo como principal ponto de interesse o desenvolvimento da industria, do comércio e a reocupação holandesa na sua colónia asiática – Indonésia.

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Em 1940, os nazis invadem o país e obviamente Amesterdão não foi exceção, no entanto é de ressalvar que apesar de restritiva, a vida em Amesterdão não sofreu como a maior parte das cidades holandês que foram completamente destruídas. Os judeus que ocupavam a cidade tiveram de fugir ou se esconder (falaremos mais sobre o assunto quando falarmos de Anne Frank). A comunidade judaica tinha um grande peso na população e estava integrada desde que sairão de Portugal e Espanha no tempo da aquisição. Como curiosidade a sinagoga principal da cidade é a sinagoga Portuguesa.

 

Com o final da 2ª Guerra Mundial, a casa real que fugira para Inglaterra regressa mas em 1948 a rainha Guilhermina sente necessidade de abdicar a coroa em prol da sua filha Juliana devido ao fim das colónias holandesas.

 

Desde essa data até à atualidade a Holanda volta a ganhar importância comercial com a adesão à CEE, à Nato, aos Benelux, à união Europeia, ao Euro. Sempre presente a sua tolerância religiosa, a coroa é laica sem qualquer religião associada. Os edifícios anteriormente religiosos da coroa passam a albergar museus e centros humanitários.

 

São dos primeiros países a pronunciar-se a favor da despenalização das drogas leves, do casamento homossexual da despenalização do aborto, do combate à corrupção e ao crime.

 

Hoje em dia, o Reino da Holanda é liderado pelo rei Guilherme Alexandre.

 

Por tudo isto, Amesterdão é uma das cidades com menor crime no mundo, mais segura, mais rica, com melhor qualidade de vida e felicidade.

A História da Irlanda

Agosto 09, 2017

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Antes de partir em descoberta de qualquer novo destino é importante conhecer um pouco da sua história, e neste caso, conhecer a história da Ilha da Irlanda é essencial para perceber e entender aquilo que vemos, visitamos ou simplesmente presenciamos.

 

A Irlanda é mundialmente conhecida pelos seus mitos e tradições celtas mas não é assim tão simples. A Irlanda ao longo da sua história assistiu a inúmeros conflitos quer de ordem religiosa, social ou ideológica o que transformou esta bela ilha em 2 países República da Irlanda e Irlanda do Norte (pertencente ao Reino unido).

Mas vamos então tentar resumir um pouco toda a história da Irlanda.

 

 

A Era Celta

A ilha da Irlanda terá sido ocupada pela primeira vez por volta do ano 8000AC, nessa época pelos povos agricultores e recoletores. Ainda existem alguns vestígios e locais neolíticos que podemos visitar, como é o caso de Newgrange.

 

Por volta do ano 300AC, os guerreiros Celtas (idade do Ferro) terão chegado à Irlanda e implementado a sua cultura e língua. Ainda hoje o Gaélico descende da língua Celta e muitos dos mitos e tradições remontam a este povo, são visíveis ainda milhares de símbolos celtas nos vestígios arquitectonicos.

 

 

A Era de São Patrício

No século V DC, após a chegada à Irlanda do são Patrício e deste além das cobras* ter expulsado a religião pagã, instala-se a religião cristã e com ela a cultura, a literatura e a arte associada. Muitos foram os vestígios arquitetónicos que ainda hoje proliferam pelo país, bem como o Livro de Kells que ainda hoje pode ser encontrado na Biblioteca do Trinity College em Dublin.

 

 

A Era Viking

No século VIII DC e durante o século IX, a Irlanda foi governada pelos Vikings, povos escandinavos que invadiram a ilha e que fragilizou as dinastias regionais que existiam na ilha. Os vikings foram os fundadores da cidade de Dublin em 988DC.

 

 

A Era dos Normandos

Em 1169 DC, inicia-se a invasão normanda, primeiro expulsando os vikings e depois dominando os irlandeses. Foram os grandes construtores de novas cidades muradas, igrejas e castelos, que hoje são paisagem desta ilha.

Foi aqui o início do domínio inglês sobre a Irlanda em mais de 700 anos de história, desde que em 1177, o príncipe inglês João Sem Terra foi ordenado senhorio da Irlanda, por seu pai o Rei Henrique II de Inglaterra.

 

 

A Era Protestante

Desde a última era até ao ano de 1534, terá existido uma relação pacífica entre irlandeses e os ingleses, reconhecendo Inglaterra como senhores da Ilha apesar das divisões por províncias existentes: Ulster, Meath, Leinster, Munster e Connacht.

 

No entanto, com a subida ao trono de Henrique VIII de Inglaterra e com a sua declaração de líder da igreja na Irlanda começaram a surgir discrepâncias. Os Irlandeses católicos não reconheceram a igreja protestante como sua. Surgem as leis de implantação e as leis penais que além de trazerem escoceses e ingleses para a Irlanda (protestantes) ditavam a retirada de poder dos católicos, negando-lhes por exemplo o direito a crédito ou a terras.

 

O poder Irlandês católico sucumbiu ao poder protestante inglês, escocês e agora também irlandês, iniciou-se a divisão verdadeira da Irlanda: a divisão religiosa. Começaram aqui os conflitos que até recentemente existiram no território.

 

 

A Era Britânica

Em 1613, foi derrubado a maioria católica no parlamento irlandês, pois foram criados novas representações parlamentares para locais onde predominavam os colonos protestantes. Apesar de até ao final do século XVII os católicos representarem 85% da população da ilha, foram quase na totalidade banidos do parlamento.

 

Em 1782, Henry Grattan deputado protestante conseguiu negociar uma relação comercial mais favorável com Inglaterra e uma maior independência legislativa, sendo que a governação ainda vinha da ilha britânica.

 

Em 1791, surge a criação da Associação United Irishmen, com o ideal de unir todos os jovens irlandeses independentemente da sua religião para reduzir o poder britânico, chefiado pelo protestante Theobald Wolfe Tone. Em 1798 surge então uma rebelião armada irlandesa que apesar de contar com o apoio dos revolucionários franceses acaba por falhar.

 

Este é o fim para o Príncipio da União. Em 1801 foi aprovada a lei Act of Union que unia politicamente a Irlanda à Inglaterra e com ela o direito de voto e de assento parlamentar dos católicos. Só em 1829, se deu a Emancipação Católica com a aprovação no parlamento de Londres da Act of Catholic Emancipation, uma lei que devolvia poder aos católicos, muito defendida por Daniel O’Connel, conhecido como o grande libertador.

 

Apesar das muitas tentativas do grande libertador, que só defendia atos pacíficos, de cancelar a Lei da União, esta tarefa nunca foi concluída pois não detinha o apoio de todos os irlandeses. Estes problemas políticos no entanto foram rapidamente esquecidos pela pior tragédia da Irlanda – a Grande Fome.

 

 

A Era da Grande Fome

No ano de 1845 e seguintes a Queima (um tipo de praga agrícola) chega a Irlanda e durante 3 anos destrói toda a produção de batata. Não podemos esquecer que nessa época a batata é o principal alimento de todo o povo irlandês o que faz com que se entre no período negro da Irlanda.

 

A somar a este facto, temos o controlo comercial por parte da coroa inglesa que nada fez para diminuir a fome irlandesa, pelo contrário, continuou a obrigá-los a exportar os poucos cereais que produziam bem como a carne e laticínios.

Estima-se que tenham morrido ou emigrado cerca de 2 milhões de Irlandeses.

 

 

A Era da Autonomia

Durante esta ultima era existiram poucos desafios ao controlo britânico. Em 1882 é criado o partido parlamentar Irlandês (na sequência do Irish Home Rule Party) liderado por Charles Stewart Parnell. É este homem que é o principal rosto da Home Rule, ou seja, da divisão da Irlanda face a Inglaterra, ou melhor será dizer da autonomia de governação por parte da ilha esmeralda.

 

Em Ulster, no norte da Irlanda a maioria dos irlandeses era protestante. Com a possibilidade da Home Rule ser concedida, viam o seu poder diminuir pois seria dominados por uma maioria católica que ocupava o resto do país. Assim o Partido Unificador (Unionist Party) liderado por Sir Edward Carson ameça um aluta armada caso seja asseando o Home Rule.

Apesar do esforço de Parnell, este não consegui ver o seu sonho realizado, mas inspirou gerações vindouras e valeu-lhe o título de “rei não coroado da Irlanda”.

 

Em 1912 foi aprovado o projeto de lei para a criação da Home Rule, no entanto devido à chegada da Primeira Guerra Mundial em 1914 esta foi suspensa. Muitos irlandeses do Irish Party, liderado na época por John Redmond, supunham que apoiando a Inglaterra na guerra, assim que esta acabasse a Home Rule seria concedida, assim todos os opostos se colocaram do mesmo lado da luta.

 

No entanto, nem todos se colocaram do lado do Irish Party, pois os nacionalistas irlandeses não acreditavam e não confiavam no governo inglês. Surge assim em 1916 um dos principais acontecimentos da história da Irlanda.

 

 

A Era do Easter Rising

No dia 24 de Abril de 1916, uma segunda-feira de Páscoa, dois grupos nacionalistas rebeldes armados: o Irish volunteers liderados por Padraig Pearse e o Irish Citizen Army liderado por James Connoly, tomaram pontos-chave de Dublin. Em frente à agência central dos Correios, no centro de Dublin, Padraig Pearse leu a Proclamação da República, que declarou a República da Irlanda independente dos britânicos. Seguiram-se durante 6 dias diversas guerras civis pelo país que terminaram, com a derrota dos rebeldes – a maioria da população era afinal contra o Easter Rising. A opinião pública começa a mudar quando os sete signatários da Proclamação foram executados.

 

Duas das principais figuras do “Levante da Páscoa” e que não foram mortas foram Éamon de Valera e Michaels Collins. Nas eleições de 1918, o partido Sinn Féin de Valera ganha a maioria dos assentos parlamentares irlandeses na Câmara dos Comuns. Em 1919, estes mesmos deputados reunem-se em Dublin e formam o Parlamento da República da Irlanda chamado de Dáil Éirean, declarando unilateralmente o poder sobre toda a ilha.

 

 

A Era da Guerra da Independência e da Guerra Civil

De 1919 a 1921, instalou-se uma guerra da independência. De um lado o Exército Irlandês – da Irlanda, do outro as forças britânicas. Esta guerra termina em 1921 onde foi assinado um tratado – Tratado anglo-irlandês dando poderes de independência à Irlanda, no entanto a opinião pública manteve-se dividida pois a Irlanda foi dividida em Estado Livre Irlandês (26 condados maioritariamente a sul) e a Irlanda do Norte (6 condados).

 

De 1922 a 1923, existe então uma dura guerra civil. De um lado quem defendia o tratado liderado por Collins e de quem se assumia contra o tratado liderado por Valera. Esta divisão durou até aos dias de hoje até na ideologia dos dois principais partidos políticos existentes.

 

 

A Era das 2 Irlandas

Desde 1920 com a Lei do Governo Irlandês e desde 1922 com o Tratado Anglo-irlandês começaram a existir duas Irlandas: a do Norte maioritariamente protestante e a República da Irlanda, no sul, maioritariamente católica.

 

Em 1937, a República da Irlanda aprova a sua constituição como independente, enquanto que a Irlanda do Norte continua a ser parte integrante do Reino unido.

As lutas ideológicas apesar de terem desaparecido até aos dias de hoje da República irlandesa, continua muito patente na Irlanda do Norte principalmente devido às diferenças religiosas.

 

 

A Era dos Troubles no Norte

Apesar da acalmia política que existia na Irlanda do Norte desde 1922, esta termina no final dos anos 60 devido à discriminação que existia sobre os católicos.

 

Em 1968 começam as marchas pelos direitos civis dos católicos que levaram a reações violentas dos protestantes e da força policial. Segue-se então o período conhecido como “The Troubles” onde os irlandeses do norte nacionalistas/republicanos e os leais/unificadores se confrontaram. Estão na base da divisão dois pontos importantes: a religião e a independência.

 

Em 1969 as tropas britânicas são enviadas para Belfast para manter a ordem e proteger a minoria católica. Mas na realidade parece que o exercito era mais uma arma da maioria protestante, opinião católica que se pode comprovar com o Bloody Sunday (1972), domingo sangrento, em que o exercito disparou sobre uma manifestação católica matando cerca de 13 pessoas.

 

O Período da luta durou desde os anos 60 até praticamente à atualidade, com a intervenção também do IRA – Exercito Republicano Irlandês – que pretendia a anexação da Irlanda do Norte ao seu país, muito apoiado pelo Partido Nacionalista Sinn Fein. Estimna-se que durante este período cerca de 3000 pessoas tenham morrido dos dois lados do conflito.

 

Em 1998 chega um certo clima de estabilidade à Irlanda do Norte, em 2005 o terrorismo do IRA termina e entregam as armas, e em 2007 os dois partidos passam a cooperar no governo da Irlanda do Norte.

Nessa mesma epóca a República da Irlanda inicia um processo de crise financeira, tal como Portugal, ao que parece ter sobrevivido.

 

O futuro ninguém poderá adivinhar, mas esperamos que de estabilidade económica, social e política.

 

Podes acompanhar toda as aventuras e informação da viagem através dos tag's irelandtrip e ilhaesmeralda

Teatro SAX-Tenor no D. Maria II

Maio 22, 2017

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Ontem foi dia de Teatro, a escolha recaiu na peça Sax-Tenor em exibição no Teatro D. Maria II.

Uma história verdadeiramente arrepiante, com uma carga dramática, por vezes mesmo trágica.

A história é simples, num qualquer degredo, num bairro dos arredores de Santiago de Compostela em Espanha, num beco de prostitutas, loucos, chulos e oportunistas acontece um assassinato de um jovem “músico” de saxofone tenor... esta é a premissa para o início do espetáculo.

Sempre debaixo de chuva, tal como lágrimas derramadas pelo jovem, ou pelo contrário refletindo a falta destas lágrimas de compaixão, a história vai-se desenrolando ao jeito de flashback durante uma entrevista ao personagem principal da peça, aquele galego que se denomina Tio Sam.

É este homem, que não pertence verdadeiramente ao bairro mas que aqui se sente bem, bêbado, gasto, mas com um coração de oiro que vai apresentando toda a história e todos os personagens.

A partir daí, nós próprios nos sentimos uns detetives, para tentar perceber quem? Quem matou o jovem sax-tenor?

Tudo isto num primeiro ato regado de mistério, onde Passarinha a prostituta mor do bairro se evidencia no meio de todos os outros, a Pranhuda, o Sinatra, o Almirante louco, o pequeno Gigante, o Judeu, Hortense a louca e velha prostituta, a Lola – filha do Judeu, Valentim que aqui é valentão.

Um grupo de personagens riquíssimo, que depois é ainda completado pela mãe e pai do morto.

Num 2º ato também misterioso e depois de desvendarmos quem matou o sax-tenor, ficará a questão e quem matou a sua mãe.

Uma história fabulosa, cheio de tristeza, tragédia, drama, loucura, amargura que todos deviam ver. Nós próprios nos podemos comparar a esses personagens, cada um é quase como que um defeito nosso ou uma nossa virtude. É isso que permite este espetáculo, analisar-mos a nossa sociedade. No final de contas, poetas e loucos todos somos um pouco!

Tenho de salientar dois pontos negativos na minha perspetiva, a tradução do texto poderia conter menos asneiras, ou alterá-las, chocariam na mesma mas não cansava. Depois os 2 polícias bêbados, ignorantes, corruptos e que buscam no fim da noite as putas deste bairro, funcionaria melhor se fossem verdadeiramente 2 homens em vezes de figuras femininas encobertas por capuzes.

Mas tenho que salientar o excelente trabalho de ator, as excelentes interpretações de Paula Mora, João Grosso e da Passarinha (não sei o nome da atriz lamento). A encenação é fabulosa, muito bem pensada e criativa, o desenho de luz ténue e sombrio é maravilhoso, o cenário está perfeito para este drama e depois os figurinos que são vistosos, adaptados, contemporâneos, são brilhantes.

É ver até final do mês.

Rotas do Caminho Português de Santiago

Junho 01, 2016

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Este pequeno diário não pretende ser um guia do Caminho Português para Santiago, muito menos ensinar alguma coisa sobre ele. Vou tentar retratar as experiencias que passei, as pessoas com que me cruzei e as varias historias com que fui presenteado. Os sentimentos, as emoções, os cheiros e os sons, esses serão impossíveis de descrever na sua plenitude, no entanto ficarão sempre guardados na minha memória.

Para quem pensa que fazer este Caminho é uma ousadia só ao alcance de alguns, deixo aqui uma frase de Fernando Pessoa que poderá faze-lo mudar esse estado de espírito: “Tudo é ousado para quem a nada se atreve”.

Espero que este roteiro desperte em quem o ler a vontade de fazer este Caminho. Será uma viagem que por certo irá recordar para sempre.

 

1º DIA - 26-09-2015 - Lisboa – Ponte Lima

Este Caminho não começa hoje. A ideia de fazer o Caminho para Santiago é uma vontade que cresceu ao longo de 1 ano. Até aqui várias coincidências foram acontecendo que reforçaram a ideia de o fazer.

Eram 7h22m da manhã, a 145km, seguimos em direção a Nine. A vontade de começar esta aventura é muita. Pela janela do comboio a paisagem passa por nós a grande velocidade, o que nos faz desligar do Mundo e tentar compensar as horas de sono em falta.

Tudo muda, quando apanhamos o comboio inter-cidades que faz a ligação de Nine a Viana do Castelo. Deixámos o conforto dos acentos do Alfa Pendular e passámos para o desconforto dos acentos rudimentares do inter-cidades. No entanto a paisagem lá fora faz-nos esquecer este pormenor. A velocidade do comboio permite desfrutar a beleza da paisagem do Norte de Portugal. As vinhas espalham-se pelas encostas como se de uma organização arquitetónica se tratasse.

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 Conseguimos, agora, ver o nome das estações por onde passamos assim como a sua arquitetura, o que nos faz recuar na história dos caminhos-de-ferro em Portugal.

 A ligação entre Viana do Castelo e Ponte de Lima é feita de camioneta.

A chegada a Ponte de Lima, perto das 13h.30, é feita com entusiasmo e alguma apreensão, afinal de contas é aqui que começará a caminhada. Depois de almoça e de fazer uma visita turística pela vila, juntamente com a Alexandra e a Paula fomos tratar do nosso alojamento.

A primeira noite foi feita no Albergue de Ponte de Lima. Dormir num quarto com mais 18 pessoas é uma experiencia nova para quem não foi à tropa.

Uma vez que fomos dos primeiros a chegar podemos ter contacto com alguns dos peregrinos que já vinham alguns dias no seu caminho. O cansaço visível na cara das pessoas, o coxear, os pensos e remendos nos pés, deu-me logo uma perspetiva do que se avizinhava nos dias seguintes.

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Neste dia retenho a frase de um casal português quando se referia às bolhas nos pés nesta caminhada: “ A maior bolha está na nossa cabeça”.

Percebi a mensagem que queriam passar. Tudo está na nossa cabeça. A força física por si só não me ia ajudar a fazer este caminho, iria ser necessário a maior das forças, a força mental e pensei:

“Durante o caminho irás passar por 3 etapas: A etapa onde tu simplesmente caminhas, afinal de contas, é para isso que aqui estás; A etapa onde o cansaço se começa apoderar de ti e onde vais continuar até à exaustão; Por ultimo a etapa onde tu superas a exaustão e entras no Caminho”

 

27-09-2015

Ponte Lima - Cerdal

Eram 6h30, o dia começa cedo, pensei eu. Quando acordei reparei que algumas pessoas já tinham saído do Albergue e iniciado a sua caminhada e as que ainda tinham ficado estavam já numa fase avançada na sua preparação.

Tratei de me preparar o mais rápido possível, arrumar tudo dentro da mochila e dar inicio à minha aventura. O pequeno-almoço foi tomado no café ao lado do albergue e daí parti juntamente com a Alexandra, a Paula, o João, o Luís e o Miguel.

O estipulado por nós era fazermos no primeiro dia 18km, distancia que separa Ponte de Lima de Rubiães. Posso confessar que esta viagem não foi programada ao pormenor e as pesquisas sobre o caminho foram poucas ou nenhumas; não sabia que caminho iria percorrer, nem muito menos qual o tempo que iria demorar a percorrê-lo. A única coisa que ficou alinhavada em Lisboa era em quantos dias iríamos fazer o Caminho e as respetivas etapas. Acho que para ser uma aventura o melhor é ir mesmo à descoberta e foi assim que iniciamos o Caminho.

Há dias na vida que nunca mais esquecemos, este irá ser um deles. Comecei por tentar assimilar tudo aquilo que me rodeava, procurando fazer parte do Caminho e não deixando que o Caminho passasse por mim.

Os primeiros quilómetros são suaves percorridos pelo meio de quintas e vinhas, como nos preparando para a chamada “etapa rainha” do Caminho. Aqui nos despedimos do nosso companheiro João que num ritmo mais lento fez o seu próprio Caminho.

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A Serra da Labruja será o primeiro obstáculo a ser ultrapassado. Esta serra tem tanto de belo como de intransitável. A sua elevada inclinação e as pedras que temos que ultrapassar faz-nos começar a conhecer os nossos limites e saber ultrapassa-los. O cimo da serra dá-nos a recompensa merecida, a paisagem faz-me ganhar todo o folgo perdido na subida. Aqui em cima senti-me livre, de braços dados com a Natureza como se fosse parte integrante da serra. Como depois da tempestade vem a bonança, o trajeto até Rubiães foi a descer.

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Antes mesmo de chegar a Rubiães parámos num café/roulotte onde podemos celebrar a primeira prova superada. A selagem foi feita com um brinde ao sabor de minis Sagres.

Passamos por Rubiães em ritmo de cruzeiro, parando só para carimbar o passaporte do caminhante. Seguimos em direção a Valença. O caminho começa novamente a subir mantendo-se nesta toada durante vários quilometros até à Capela de S. Bento da Porta Aberta. Maioritariamente campestre e florestal e com vários percursos empedrados, esta etapa lembra as estradas romanas. Passámos por vários cursos de águas e pontes romanas.

Antes de começarmos a subir novamente parámos para comer alguma coisa junto ao rio. Aí conhecemos uma nova peregrina a Ana. Uma rapariga de Carcavelos que caminhava sozinha desde sua casa, pretendia chegar a Finisterra, passando claro por Santiago de Compostela. Uma rapariga de coragem, por certo com grandes aventuras para contar.

Uma vez que passámos Rubiães intenção neste dia era chegar a Valença, mas o cansaço de cerca de 9 horas a caminhar, a habituação à mochila e a Serra da Labruja tornou isso impossível. A 8 km de Valença parámos num Albergue à beira do Caminho. Chama-se Quinta Estrada Romana. Fomos recebidos pelo seu dono - o Jeff.

O Jeff é um antigo jornalista Canadiano, que depois de ter sido correspondente na Rússia, na China, no conflito Israelo-árabe decidiu vender as suas casas no Canadá e em Londres e construir este albergue.

Como ele diz, “durante muitos anos andei pelo Mundo, agora é o Mundo que vem até mim”, numa alusão aos peregrinos de todo o Mundo e das histórias que eles lhe trazem. O Jeff lavou-nos a roupa e deu-nos jantar.

Slide5.JPGAo jantar juntaram-se mais 3 peregrinos, duas brasileiras e um checo. Respirava-se um bom ambiente e a conversa fluía com a troca de histórias. A história do Yang é impressionante. Caminhava em direção a Fátima. Vinha da sua terra natal, a poucos quilómetros de Praga. Saiu dia 18 de Abril de 2015 e já levava quase 4.000km nas pernas. Nesta altura todo o meu cansaço de um dia passou a ser irrisório no meio disto: As pessoas não são magnificas, são sim inspiradoras.

 

28-09-2015

Cerdal - Porriño

Hoje o dia começou pelas 6.30h da manha, a preparação das mochilas e a vestimenta já faz parte do no nosso dia-a-dia. O pequeno-almoço foi tomado no Albergue. Às 7.30h começou a nossa caminhada, com a companhia de duas novas caminhantes, a Luciane e a Carmen.

Seguimos então em direção a Valença com o objetivo de ver até onde as nossas forças nos levavam. A partir deste dia qualquer planeamento que se tenha feito da viagem deixou de fazer sentido. Acho que hoje começámos a deixar que o Caminho nos leve.

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 Passamos pela Praça-Forte de Valença, percorremos as muralhas da Cidade, passando de seguida a ponte metálica sobre o Rio Minho que nos encaminha até Tui – Espanha. A travessia desta ponte toma maior significado pois entramos noutro País, o que traduz algumas alterações, tais como idioma, a gastronomia e as tradições. A partir de hoje deixamos de desejar um “Bom Caminho” para passarmos a desejar um “Bon Camiño”.

Em Tui atravessamos as ruas medievais do Burgo que nos leva em direção à Catedral. Um local magnífico que merece sempre uma visita. Aproveitámos para nos sentarmos nas escadas da Catedral e abastecermos o estômago com alguma coisa. Por aqui deixámos a Carmen. Ela caminhava sem mochila, pagava um serviço de transporte de mala até a próxima localidade, teve de tratar do próximo transporte.

Continuámos a nossa caminhada, passando um percurso de estrada, entrámos em paisagens de bosques acompanhados por pequenos riachos.

Enquanto fazíamos uma pausa para aliviar as costas e os pés a Carmen passou por nós. O Albergue de Tui estava fechado e só abria às 15h então ela decidiu seguir sozinha até Porriño.

Voltámos mais à frente a encontra-la mas desta feita em sentido contrario. Só lhe conseguiam entregar a mochila no dia seguinte. Lição do dia: Não esperes que os outros carreguem o que é teu. Sempre que dependeres de alguém para fazer o teu dever, estás bem lixado.

Pelas 14h parámos num café para restabelecer energias, beber umas cañas e comer umas sandes de presunto. Reparei num jovem, sozinho, sentado ao balcão munido de tecnologia avançada a beber uma caña. Convidei-o a juntar-se ao nosso grupo. O Kim é um jovem Sul Coreano que há 5 anos que andava para fazer o Caminho. Este ano decidiu fazê-lo sozinho.

A partir daqui iríamos percorrer uma enorme e extensa reta de asfalto, atravessando um Parque Industrial. O progresso aqui “matou” a história, ou melhor, fez outra história do Caminho. O fresco dos bosques foi substituído pelo calor das fábricas, a ausência de sombra é uma constante, e o caminho empedrado da antiga estrada romana foi substituído pelo alcatrão quente.

A estrada não tinha fim e não havia maneira de chegarmos a Porriño onde iríamos pernoitar. O asfalto deu cabo de mim, a roupa colava ao corpo e o calor do alcatrão fazia-se sentir nos ténis e pés.

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 Chegados à Porriño encontrámos uma cidade em festa. Depois de banho tomado e mazelas remendadas fomos jantar. O grupo estava agora reduzido a mim, à Paula, Xana, Miguel e Luciane, o Kim tinha seguido sozinho até Redondela. Amanhã continuaremos a nossa caminhada. Onde irei parar não sei, como diz o Jeff: “o caminho é que me escolhe.”

 

29-09-2015

Porriño - Arcade

O dia começou com 1 hora de atraso, resultado do fuso horário e respetivo atraso no despertador. Saímos de Porriño em direção à localidade de Mos, respirou-se fundo porque o caminho fazia-se sempre a subir.

Passámos pela Igreja de Santa Eulália, pelo Palácio de Mos e continuámos a subir até ao Monte de Santiago de Anta.

Ao longo dos dias várias foram as mensagens de força e encorajamento, no entanto gostaria de destacar a mensagem de uma amiga que naquela altura que a recebi foi como tivesse tomado um energético ou “atestado” o deposito para o resto do dia: “Nada existe tão alto que o Homem, com a força de vontade, não possa apoiar a sua escada”. É verdade, com força de vontade e querer conseguimos, sem dúvida, superarmo-nos.

A paragem para almoço foi feita na cidade de Redondela. As paragens para almoço, caso sejam extensas, podem ser um dos teus inimigos no Caminho. As tardes nunca são como as manhãs, são sempre mais dolorosas, onde o cansaço se apodera sempre do teu corpo e começas sempre a fazer contas de cabeça. Faltar 3km para qualquer coisa significa sempre mais 1 hora de caminhada.

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 A saída de Redondela é feita pela capela das Angustias, passa-se a ponte sobre o caminho-de-ferro e entra-se numa zona de árvores, subindo até ao Alto da Lomba, um local com uma vista deslumbrante sobre a ria de Vigo.

De seguida começamos a descer suavemente até Arcade.

A chegada a Arcade foi feita em esforço. A cara das pessoas refletia isso mesmo. Antes de sabermos se havia dormida ou se teríamos que continuar a caminhar o chão serviu-nos de assento e nem as malas foram tiradas das costas. Nesta altura a mochila e o seu peso já era um complemento do nosso corpo.

Neste dia passámos a parte do caminhar por caminhar e entrámos na exaustão. Sabia que esta exaustão não iria simplesmente desaparecer, mas daqui para a frente iria entrar na terceira fase do Caminho.

 

30-09-2015

Arcade - Briallos

Saímos de Arcade ainda de noite. O pequeno-almoço foi tomado num hostel ao lado da nossa pensão. Com o dia a nascer entrámos num dos troços mais bonitos do Caminho. Atravessámos as ruelas empedradas de Pontesampaio, descendo até ao Rio Ullo. Apanhámos o nascer do sol enquanto atravessámos a ponte sobre o Rio Ullo. O cenário com que nos deparámos é de rara beleza. Atravessámos a encosta da Conicouba e uma paisagem agrícola que se estende até á estrada de Pontevedra.

Neste momento, melhor que encontrar um Bar para beber umas cañas e refrescar, só mesmo encontrar uma Farmácia para reabastecimento dos “remendos”.

Perdi a noção dos dias, não sei quantos dias levo de Caminho, nem que dia da semana é. Não pensei que isto fosse possível acontecer, mas a verdade é que aconteceu. Apesar de não ter noção do tempo, sinto que estou a viver o momento: o que me faz sentir vivo.

O que nos “ mata” nos nossos dias é o relógio. Somos reféns deste pequeno aparelho e acabamos por viver em função dele. Tudo na vida real é feito com horários. O Caminho tem esse dom, permite-nos viver livres de horários.  

Atravessámos o centro histórico de Pontevedra, que tem origens medievais, passando pela Igreja da Virgem Peregrina, cuja planta é em forma de Vieira. Trata-se de um dos pontos de referência para as devoções dos peregrinos. Passámos pela ponte milenária de “O Burgo” que atravessa o Rio Lérez.

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O almoço hoje foi feito em género de pic-nic à saída de Pontevedra, momento aproveitado para restabelecer forças e reabastecer as garrafas de água. Deixámos agora de caminhar em cidade e voltámos aos campos agrícolas e florestas até chegar a Barro. O passo a que caminhámos é lento mas nada que nos preocupe. Como diz uma famosa frase local: Una tortuga conocemejor el camino que una libere.

Até Briallos fomos alternando a paisagem entre caminhar em estrada nacional e caminhar pelo meio das vinhas. Escusado será dizer qual o cenário é aproveitado para tirar fotografias. Chegados a Briallos, o nosso dia já leva cerca de 10 horas de caminhada e nesta pequena localidade encontra-se o ultimo albergue antes de chegar a Caldas de Reis. É notório que ali vamos ter que ficar, quer seja no albergue quer seja no chão. Não há força para mais.

Chegados ao Albergue, parecia que tínhamos encontrado um sítio abandonado. Fomos recebidos por um peregrino que nos encaminhou para os dormitórios e disse “estejam à vontade”. Tudo aquilo era no mínimo estranho, mas com o cansaço do dia, nada disso importava. Tem cama, tem casa de banho, então ficamos.

Depois de instalados enquanto esticava as pernas fui presenteado com mais uma história de um peregrino. Trata-se do senhor José António Garcia, pescador de 65 anos, há alguns anos atrás a embarcação onde seguia, na pesca do bacalhau nos mares da Noruega, naufragou tendo morrido 16 dos 17 tripulantes. O dia 1 de Janeiro de 1999 mudou a sua vida. Somente o Sr. António Garcia escapou a este acidente, os minutos que permaneceu nas águas da Noruega foram decisivos para a sua vida. A promessa feita à Santa Padroeira dos marinheiros, Virgem Carmen foi percorrer todos os caminhos peregrinos que o levem a todos os santuários, de todas as religiões do Mundo. Atualmente leva 105.000km nas pernas.

Estava na hora de ir arranjar alguma coisa para jantar. Estamos em Briallos, uma localidade onde não existem restaurantes, os cafés estão fechados e a única coisa que está aberta é uma pequena mercearia. Chegados ao local o pensamento que me ocorreu foi “hoje não há jantar para ninguém”. A mercearia resumia-se a uma única prateleira. Lá conseguimos encontrar um pacote de massa, umas latas de atum e uma tablete de chocolate. Lá seguimos nós para o albergue para jantar o que havia.

Nesse dia conseguimos do pouco fazer o muito, do simples fazer o luxo e o que parecia ser uma noite de pesadelo transformou-se num banquete divertido e até musica conseguimos arranjar (milagre dos smartphones).

O Caminho também é isto. São as pessoas com quem nos cruzamos, as histórias que ouvimos e as experiencias por que passamos.

 

01-10-2015

Briallos - Padron

Hoje levantei-me e não conseguia descobrir um ponto do corpo que não doesse, no entanto esta preocupação não dura muito tempo pois só temos uma solução, continuar o nosso caminho. Ainda faltava caminhar 5km para encontrar um local para tomar o pequeno-almoço.

Começámos a caminhar ainda de lanternas ligadas. Se o cansaço à chegada a Briallos era muito, a noite de descanso não parece ter ajudado a curá-lo.

A Luciane e a sua boa disposição, típica do povo brasileiro, foi a lufada de ar fresco que nós precisávamos para começar a ganhar ritmo. A música que ela inventou só faltava ser acompanhada com o ritmo de samba.

Desta forma pelo meio de vinhas e de pequenas aldeias seguimos em direção a Caldas de Reis. Chegados a esta cidade parámos logo para tomar o pequeno-almoço, junto á ponte do rio Umia. Esta jornada tem a particularidade de levar-te a Padron que é onde começa a última etapa antes de chegar a Santiago. Mas antes disso ainda iríamos passar por 2 montes e 3 rios.

Depois de percorrermos Caldas de Reis entrámos numa subida, por entre prados e bosques, que nos leva à povoação de Carracedo. Aqui aconteceu a surpresa do dia. Fomos convidados a entrar na creche da aldeia e interagirmos com as crianças. O projeto desta escola é no mínimo inovador, pelo menos para mim. Os peregrinos são convidados a entrar na sala de aulas, a participar nas atividades escolares juntamente com o resto das crianças e a falar sobre o seu país ou cidade. O intuito é dar a conhecer às crianças que o Mundo não é só a aldeia onde vivem e que existem culturas, pessoas e países diferentes daquelas com que estão habituadas a conviver.

O final deste convite inesperado foi selado com uma foto de grupo e com uma imagem que jamais se poderei esquecer: as crianças à janela da escola a despedirem-se e a desejar um “Bon Camiño”.

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 Continuámos o nosso caminho por entre florestas, onde podemos encontrar alguns moinhos de água, algumas subidas até começarmos a descer para Pontecesures. Aqui parámos para almoçar. A fome era muita, mas nada que o menu peregrino não resolva. Dois ovos estrelados, duas cañas, salsicha e batata frita fazem as delicias de qualquer um.

Já não faltava muito para Padrón. À chegada à cidade passámos pelo monumento alusivo às senhoras responsáveis pela apanha dos famosos Pimentos Padrón. Caminhámos até ao centro da localidade com o intuito de arranjar alojamento. Chegados à ponte podemos avistar no cimo a Igreja e uma quantidade de ruelas para visitar.

Depois de alojamento garantido e banho tomado fomos descobrir um pouco mais sobre Padrón e a sua história. Visitámos a Igreja de Santiago onde nos foi contada a lenda da chegada dos restos mortais de Santiago a Padrón.

“A chegada de Santiago Maior, proveniente da Terra Santa, é o ponto de partida da tradição Jacobeia. Desde que os seus restos mortais foram levados para Santiago Compostela, Padrón tornou-se o início da rota até ao sepulcro para os peregrinos que chegam por mar. A barca que transportou o corpo do Apóstolo foi presa ao antigo “O Pedrón”, pedra romana situada no cais para prender os barcos, que deu origem ao nome do concelho (Padrón).”

De seguida percorremos as ruas e ruelas de Padron até encontrar um local para jantar. Amanhã será a última etapa do Caminho. A vontade de chegar a Santiago é grande, mas o sentimento desta aventura não acabar é ainda maior.

 

02-10-2015

Padron – Santiago Compostela

Quem fez estas etapas todas, já percorreu tantos quilómetros por caminhos de terra, pedras e asfalto não pode desistir agora. Sabemos que o cansaço, as bolhas e as dores no corpo continuam a massacrar, mas continuamos ligados à “ficha”, à “ficha” de adrenalina de estarmos a viver esta aventura.

Acordámos cedo para aproveitar bem o dia. Esta etapa não será o fim, mas o início de um novo começo. Até Santiago Compostela aguarda-nos uma caminhada de 5 horas, sem haver grandes paragens. A etapa começa com um troço suave onde cruzámos campos e pequenas aldeias rurais. No entanto não se chega a Santiago sem antes ter que fazer duas grandes subidas. A 3 km da cidade de Santiago, no cimo de um dos montes, conseguimos avistar pela primeira vez a Catedral de Santiago. Depois de tantos quilómetros percorridos ali está um dos motivos deste Caminho.

Na cidade a paisagem rural que nos acompanhou ao longo da etapa é substituída pelas avenidas movimentadas e congestionadas de pessoas. A presença de outros peregrinos que chegam de outros tantos caminhos é uma constante, encaminhando-se toda a gente para um só lugar, a Praça da Catedral de Santiago.

Chegar a este local é sinónimo de emoção e descarregar de toda a adrenalina de uma longa viagem. Sentar no chão da praça contemplando tamanho monumento, apreciar a chegada, entre choros e abraços, de outros peregrinos e olhar para trás, tentando num curto espaço de tempo resumir esta viagem é um sentimento único, que não se descreve, nem se explica, simplesmente vive-se.

A chegada a Santiago de Compostela pelas 13.30 permitiu fazer um almoço com tudo o que tínhamos direito. O momento foi animado, como seria de esperar, com muitos brindes e saboreando a gastronomia local. O resto da tarde foi passado a visitar a cidade, recolher o diploma do Caminho e tratar de alojamento.

No fim do dia fomos assistir à missa do peregrino, um dos momentos ímpares deste dia. Uma cerimónia carregada de simbolismo, onde tive oportunidade de pedir por todos aqueles que vieram comigo na mochila. Durante a missa a bênção dos peregrinos, através de um fumeiro gigante é um ritual com muitos anos e que torna aquele momento ainda mais especial.

Á noite, já deitado na cama, senti-me como se tivesse a desligar da ficha deixando que todo o cansaço, de uma longa caminhada, me vencesse.

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Na verdade a chama que me ia dando força todos os dias tinha-se apagado, afinal de contas a razão para ela se manter acesa tinha terminado.

O dia seguinte será de regresso a Lisboa, na minha opinião, uma nova etapa do Caminho. Nos próximos tempos vamos sentir os efeitos desta viagem em nós.

 

Por Hugo Veloso

Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça

Setembro 29, 2015

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Reza a lenda que o terramoto de 1755, além de Lisboa, destruiu totalmente a aldeia de Santo André, aldeia de camponeses situada na atual freguesia de Colares.

Com a total destruição, os sobreviventes foram forçados a mudarem e reconstruírem as suas casas um pouco mais a sul, no cimo da encosta e aí nasceu Almoçageme.

Desde essa época que prestaram culto a Nossa Senhora da Graça que com a graça de Deus os protegeu e abençoou e lhes proporcionou novas vidas.

Assim em 1768 o povo começou a realizar as primeiras festividades em honra da padroeira, e desde essa data até hoje a Festa nunca ficou por celebrar. Se bem que habitualmente eram os jovens casais que tinham casado no ano anterior aos festejos que organizavam os mesmos, há alguns anos que essa situação se alterou. Assim por várias vezes, as instituições da terra ou grupos de amigos se juntaram para não deixarem morrer este espírito, o que aconteceu mais uma vez este ano.

Quase com 250 anos de tradição, as Festas em honra da Senhora da Graça vão voltar ao Largo de Almoçageme e abrilhantar as próximas noites.

Dia 02 de Outubro os Festejos abrem com chave de ouro e atuação da Cantora Popular Romana. As festas duram até dia 06 e pelo recinto das festas vão ainda passar o cantor popular Toy, a cantora/ fadista Filipa Sousa além de um sem número de grupos de baile, bandas filarmónicas, orquestras, animação musical com DJ’s. Um local a visitar para se divertir quer a ouvir música, quer a tentar a sua sorte na quermesse e na tômbola, ou degustar uns bons petiscos e pratos regionais nos bares e restaurante.

E como diria: Festa é Festa.

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O melhor filme português dos últimos tempos - Os gatos não têm vertigens

Setembro 02, 2015

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Há já um ano que estreou nas salas de cinema o filme realizado por António Pedro Vasconcelos Os gatos não têm vertigens e que é protagonizado por Maria do Céu Guerra e por João Jesus.

Andei para ir ver, mas não consegui, depois mais tarde tive para alugar no vídeo on demand e pensei: Se calhar não vale a pena, agora o filme já está disponível nos canais TV cine e na passada 2ª feira à noite decidi vê-lo.

Quando cheguei ao fim apenas tive uma certeza: Este é sem dúvida um dos melhores filmes portugueses dos últimos tempos.

A história e o argumento de Tiago Santos (autor do próximo filme de Leonel Vieira Canção de Lisboa) é de uma simplicidade e de uma beleza fora do comum.

Rosa (Maria Céu Guerra) torna-se viúva do seu marido sonhador e escritor Joaquim (Nicolau Breyner), e desde essa hora que se vê isolada no seu apartamento num prédio no Castelo em Lisboa. Isola-se do mundo e apenas na aparição do fantasma do seu marido, com ele continua a ter os mesmos comportamentos, a mesma relação as mesmas conversas. Talvez por este rasgo de loucura a sua família (Fernanda Serrano e Ricardo Carriço) tentam levar a velhota para um lar.

Num qualquer outro bairro degradado de Lisboa, existe Jó (João Jesus) um rapaz de 18 anos que se vê abandonado por uma mãe que não o quer, por um pai alcoólico que o espanca e abusa, e por isso isola-se também num mundo só seu – os seus diários.

Num dia de fúria Jó foge de casa e vai pernoitar num terraço de Lisboa, num terraço alto de um prédio no Castelo, na casa de Rosa. Aí tal como a um gato vadio, Rosa protege Jó.

A partir daí um sem numero de histórias repletas de uma beleza e de um bom gosto tremendo caracterizam a relação destes dois personagens.

Um filme único, um filme belo.

Este ano arrebatou nos prémios Sophia os 4 prémios principais: Melhor filme, ator, atriz e realização. E muito mais era merecido. Maria do Céu Guerra vai sublime, João Jesus na sua estreia no cinema está brilhante, o personagem de Nicolau tremendamente bem construído e a mesquinhez e maldade de Ricardo Carriço muito verdadeira.

A fotografia é fabulosa, a banda sonora arrepiante e a grande música “Clandestinos do amor” de Ana Moura é lindíssima.

A quem não viu apenas tenho a dizer que está a perder um dos melhores filmes portugueses de todo o sempre.

Mesmo no alto de um terraço não há medo, porque os gatos não têm vertigens, e este vagabundo gato escolheu o telhado de uma bondosa, genuína e fantástica velhota.

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A prostituta que era virgem - Virgem Margarida

Agosto 25, 2015

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Em 1975, após a guerra colonial, Moçambique renasce, ou tenta renascer.

Uma das políticas instauradas é a renovação das mulheres e a sua “evangelização”, das ruas são retiradas milhares de mulheres da vida que são enviadas par um campo de treino onde irão aprender a fazer o que as mulheres devem fazem: cozinhar, cuidar das casas, dos filhos, saber de agricultura, saber trabalhar no duro, abrir estradas.

Tornam-se num exército de prostitutas em defesa destes novos ideais moçambicanos.

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Margarida é uma jovem de 16 anos, virgem, de famílias simples e oriunda das selvas, e que por engano é também encaminhada para este campo.

A história foca-se assim num núcleo de 4 mulheres: Margarida a virgem, Rosa a prostituta de 3ª que é brava e destemida, Luísa a prostituta de 2ª que é frágil, e Susana que é uma prostituta “bailarina” de primeira que sonha em voltar a ver os seus filhos.

Um filme moçambicano de 2012 de Licinio Azevedo, e com argumento do próprio em parceira com Jacques Akchoti, com interpretações um pouco amadoras de Sumeia Maculero, Rosa Mario, Ermelinda Cimela e Iva Mugalele.

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A imagem e os planos não são os melhores, mas chega a um momento que parece que estamos a ser uns pequenos pássaros que avistam este campo de treino.

Vale a pena ver pelo esforço de uma indústria cinematográfica muito pobre e pelo conhecimento de uma história.

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Nas margens do Paraíso: Terras de Ferreira do Zêzere

Julho 28, 2015

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Segunda semana, segundo artigo sobre uma das zonas mais bonitas do nosso Portugal. Conhecer Portugal continua no Rotas do Mundo desta vez sobre as Terras de Ferreira do Zêzere - nas margens do Paraíso.

Esta pequena vila com cerca de 2000 habitantes está situada na região centro do nosso país, mais propriamente na sub-região do médio Tejo, distrito de Santarém. Ferreira do Zêzere é um pequeno município com 190 km2 de área e cerca de 8600 habitantes, que está localizado entre Tomar, Sertã, Ourém e Alvaiázere.

Terra de extrema beleza é por muitos conhecida das obras de Alfredo Kheil (autor de A Portuguesa) que por estas bandas se inspirou para a criação de telas e músicas como a ópera serrana. Desta terra são também figuras ilustres o historiador António Baião, que foi diretor da Torre do Tombo, e a grandiosa atriz portuguesa Ivone Silva.

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A apenas 120km de Lisboa e a 170km do Porto a albufeira mais bonita da Europa está pronta para ser descoberta.

A História de Ferreira do Zêzere é bastante antiga, remonta mesmo ao período pré-histórico, bem visível nas grutas de Avecasta e nas sepulturas antropomórficas da Serra de São Paulo. Junto a este rio, e nestas encostas percorrem diversos povos, desde os romanos - vestígios que podemos apreciar na Serra de São Pedro Castro - até às aos mouros cuja sua permanência é visível em muitas heranças mouriscas.

Por estas bandas percorrem ainda senhores feudais, e ordens religiosas como os templários, tudo isto pode ser visto e estudado nos muitos monumentos, nas torres medievais, nos pelourinhos, nas igrejas, nas ermidas e nas casas e quintas senhoriais que estão erguidas por toda esta terra.

Ferreira do Zêzere não é apenas a vila, é um conjunto de pequenos lugares, aldeias e vilarejos que caracterizam estas paisagens e que faz desta albufeira natural do Zêzere um paraíso. Aconselho vivamente a partirem em busca de algumas.

Dornes é uma pequena vila pitoresca que está sentada à beira rio. O seu nome deriva dos drones que por ali eram transportados em chatas e barcaças (são barris de vinho) e tem também a sua origem na lenda medieval de Nossa Senhora do Pranto, a virgem que ainda hoje e desde há muitos anos acolhe multidões nos seus círios anuais que vêm dos mais variados locais do país.

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Lago Azul, por muitos conhecidos pela sua praia fluvial, oferece aqui também o seu clube náutico para inúmeras práticas desportivas e tem pontos de turismo para todos os gostos – hotéis, restaurantes e cafés. É um pouco turístico e nos meses de Época alta pode ser confuso, mas é uma alternativa.

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Martinela é um pequeno sítio perdido nas serras de Ferreira do Zêzere mas que é visitável nem que seja apenas para apreciar as paisagens e o marco milenar que lá se encontra.

Rio Cimeiro este pequeno lugar é um mundo por descobrir. Aqui onde em tempos antigos se encontrava a ponte do vale da ursa, hoje submersa, é um local mágico. E para os mais aventureiros algo a explorar debaixo das águas do rio.

Pombeira é a aldeia ribeirinha do qual se obtém uma vista luxuriante sobre um grande pedaço deste rio. Aqui detém um parque de merendas bem equipado para quem quer relaxar debaixo das sombras das árvores ou um pequeno porto de embarcações para partir pelo rio adentro.

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Mas além destes vilarejos e lugares, Ferreira do Zêzere tem um património riquíssimo desde as casas e quintas senhoriais, muitas delas visitáveis, até às inúmeras igrejas e ermidas, templos e grutas. Apresento algumas que na minha opinião são obrigatórias.

Visite São Pedro de Castro, neste local pode apreciar os vestígios de um castro romano além de obter uma fabulosa vista panorâmica sobre a região.

A Gruta de Avecasta situado na vila de Areias é um ótimo local onde poderá apreciar os vestígios do neolítico e idade média. Diz-se que por estas terras viveu um povo da Idade do Bronze. Vá até lá e confirme.

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Torre de Dornes visitável na vila com o mesmo nome é uma Torre pentagonal erigida pela ordem dos templários que data do século XII.

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Igreja de Santo Aleixo fica sediada na vila do Beco, foi erigida no século XVI e tem como ex-líbris a capela-mor revista a talha dourada e os painéis de azulejos setecentistas com cenas do velho testamento.

Situada na vila de Ferreira do Zêzere, e com grandioso destaque encontra a Igreja de São Miguel, com a sua fachada maneiristas do século XVI e com um interior riquíssimo com pinturas, talha dourada e telas como A Última Ceia ou a Aclamação da Nossa Senhora.

A Igreja de Nossa Senhora da Graça erigida em Areias no século XVI é um fabuloso templo medieval que foi mandado ampliar pelo rei D. Manuel I e que tem ainda como característica a fachada do arquiteto João Castilho, arquiteto responsável por muitas obras no Convento de Cristo em Tomar.

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Mandada erigir pela Rainha Santa Isabel e com o apoio do senhor de Dornes D. Gonçalo Sousa, encontra-se a Igreja de Nossa Senhora do Pranto. Este local é alvo de peregrinação de diversos círios de todo o Portugal que por norma ocorrem desde o domingo da Pascoela (Domingo a seguir à Páscoa) até às Festas do Espírito Santo.

Na pequena aldeia de Águas Belas pode sobre um beiral de uma casa oitocentista apreciar o fabuloso relógio de sol. Um pormenor que passa despercebido aos mais desatentos mas que você não pode deixar fugir.

Além do Património histórico que estas terras oferecem há muito mais para ver e fazer. Se o seu espírito é mais aventureiro então aconselho atividades mais desportistas e radicais. É fácil aceder a elas, existem para todos os preços e caso não tenha espírito e paciência para as organizarem há já diversas empresas que tratam de tudo por si.

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Desde um simples passeio de barco a motor onde poderá descer todo o rio e apreciar as diversas paisagens das margens do rio Zêzere, até entrar no Barco de três tábuas (chatas ou abrangel) que eram usados antigamente para pescar e que hoje estão à disposição de qualquer um, as opções são diversas.

Pode por exemplo praticar ski aquático, aqui a expressão voar sobre o rio ganha outro significado, pode munir-se de equipamento de mergulho e partir à descoberta subaquática das antigas aldeias submersas pelas águas aquando a criação da barragem de Castelo de Bode.

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Pode simplesmente subir o rio através de uma expedição em canoagem ou descontrair nas praias fluviais do Lago Azul ou de Dornes.

Aqui e com uma fauna e flora rica pode também desfrutar do sossego quer através de um belo passeio pedestre (existem inúmeros percursos sinalizados), ou sentar-se junto ao rio e praticar um pouco de pesca – aqui os achigãs saltam do rio para a mesa.

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Se é apreciador de algo mais radical pode ainda subir e descer as serras montado numa bicicleta de BTT (trilhos bem pensados e com paisagens fabulosas) ou arriscar-se na modalidade de geocaching (encontre os vários pontos de referência onde pode deixar o seu testemunho).

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Portanto as atividades de lazer que pode fazer são mesmo muitas, além de que pode apenas relaxar a ouvir os passarinhos numa varanda com vista sobre o Zêzere, ou ler um livro com os pés a chapinhar nestas águas cristalinas.

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Além da história, do património e das atividades lúdicas que as terras do Zêzere oferecem um ex-líbris da região é sem dúvida a sua gastronomia. Aqui pode optar por pratos de carne com extrema qualidade e muito variada, pelo peixe de rio ou pelos doces tradicionais que são divinais. O javali, o leitão, o cabrito e os bifinhos no chapéu são os petiscos para os mais carnívoros, enquanto que o peixe do rio e os lagostins oferecem um requinte para os apreciadores destes sabores.

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Além dos pratos salgados é também de salientar a fabulosa qualidade de queijo, mel, azeite e vinho DOC característicos desta região. Além disto podemos ainda encontrar os doces típicos como as tigeladas, os espera-maridos, ou as estrelas do Zêzere.

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E para degustar todas estas iguarias nada melhor do que visitar alguns dos melhores restaurantes da região. Elejo 4 restaurantes com os mais variados pratos e para todas as carteiras.

A Grelha do Zêzere situado na Rua Maria Vasques nº37 em pela vila de Ferreira do Zêzere oferece bom ambiente rodeado pelas suas paredes de pedra, aqui pode degustar um excelente naco de vitela ou os tradicionais bifinhos no chapéu – além de um prato é toda uma experiência.

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A Casa dos Leitões – pois não é só na Bairrada ou nos negrais que o leitão tem outro encanto, aqui na vila de Águas Belas pode apreciar desde o belo leitão assado no forno ou provar um dos muitos pratos caseiros. Quer o gerente do restaurante quer dos empregados vai obter a maior simpatia, e com sorte até pode pedir uma prova com vários pratos tradicionais.

Situado na Estalagem do Lago Azul, encontra-se um dos melhores restaurantes da região, um pouco mais caro que os anteriores, detém extremo requinte, bom gosto, elegância e um serviço de atendimento fantástico. Os pratos tradicionais ganham destaque tal como a vista que tem das grandes vidraças do Restaurante da Estalagem do Lago Azul.

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A Pastelaria Pérola do Zêzere, situada na rua do casal do além na vila de Ferreira do Zêzere é um pequeno café e snack-bar que serve pratos do dia, comida ligeira mas de boa qualidade. É barato e acessível a todas as bolsas. O Arroz de Pato dourado é o prato de destaque que pode acompanhar com uma cerveja artesanal. Aqui é um ótimo local para provar as fabulosas tigeladas ferreirenses ou as estrelas do Zêzere. Pode ainda levar para casa alguns doces e compotas caseiras.

Está comprovado que a gastronomia é um dos pontos fortes desta região, aliás além do turismo são exatamente atividades como a apicultura, a vinha, a agropecuária e a agricultura que são as principais atividades económicas de Ferreira do Zêzere.

Depois de tantas atividades e passeios é hora de relaxar e nada melhor que optar por um dos hotéis e espaços de turismo que esta zona oferece.

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Os apartamentos do Lago é considerado um empreendimento de 4 estrelas com preços por noite me época alta de cerca de 120 euros. Os apartamentos detêm cozinha equipada caso queira confecionar as suas próprias refeições, detém rede wi-fi, piscina e ginásio. Mas pode simplesmente deliciar-se com a paisagem que estas varandas oferecem.

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A Estalagem do Lago Azul, além do fabuloso restaurante detém quartos luminosos com excelente vista rio, um ótimo solário com espreguiçadeiras e uma piscina exterior. Uma boa opção para pernoitar com preços a partir dos 60euros a noite.

Outra alternativa é o Hotel da Nossa Senhora do Pranto, situado no vale serrão em Dornes, com praia privada e a 100 mt de Castelo de Bode. Uma opção acessível por 50 euros a noite.

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Para finalizar encontramos a Casa da Ladeira, na Rua da Cabecinha em Matagosinho, onde pode optar por suites ou apartamentos de turismo rural, com ambiente rústico mas cheio de charme. Uma fantástica opção para os meses quentes devido à sua localização na barragem e piscina exterior ou nos meses mais frios onde se pode sentar à lareira e apreciar estas belas paisagens. Preços desde 55 euros a noite na suíte ou 75 euros em apartamento.

Ferreira do Zêzere tem assim muito para oferecer e muito para ser descoberto. É um local fabuloso em qualquer altura do ano desde os meses mais frios, aos meses de Verão. Se vier em Maio pode ainda apreciar a Anual Feira da Cereja, ou se for um bom apreciador de vinho pode vir em Dezembro para o Rally das Adegas.

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Existe ainda o Festival do Lagostim do Rio, onde os apreciadores podem degustar esta iguaria ou divertir-se nas Festas em honras de Nossa Senhora do Pranto.

Para quem se quiser aventurar para fora deste idilico local pode rapidamente aceder a Tomar, à Sertã e a Fátima, tão perto e com tanta oferta cultural.

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Ferreira do Zêzere, não é uma simples vila, não é uma simples região, é um conjunto de vilas, lugares e paisagens que tornam as margens do Zêzere num Paraíso.

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Lê os restantes artigos de Conhecer Portugal. 

 

Pode consultar mais informações em:

www.terra-oculta.com

www.kaventura.com

www.cm-ferreiradozezere.pt

www.ferreiradozezere.net

www.booking.com

www.tripadvisor.com

As fotografias utilizadas neste artigo não têm qualquer uso com fim comercial, a sua maioria foram retiradas de arquivos dos sites disponibilizados acima, e tem como único objetivo promover a região de Ferreira do Zêzere.

As Três Vidas de João Tordo

Junho 17, 2015

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Tempo de férias é também sinónimo de mais tempo para pôr as leituras em dia, e este ano apesar de não ter cá estado para ir à Feira do Livro de Lisboa arrecadar boas pechinchas, fui até à Livraria Barata comprar alguns dos livros Low cost da Leya.

E descobri um autor português que não conhecia – João tordo, escritor e argumentista, que já alcançou alguns feitos com Prémios nacionais como o Prémio José Saramago em 2009.

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Li “As Três Vidas” um romance escrito num jeito biográfico, mas que nada tem com a vida do autor mas sim de um personagem criado pelo próprio que vai contando a sua vida, principalmente a sua vida profissional com um grande mentalista português que vivia no Alentejo, dos seus crimes, dos seus negócios obscuros.

Depois como em todos os romances uma história de amor, por uma mulher meia aluada que vivia em obsessão pelo funambulismo.

Um livro que se lê facilmente e que nos transporta para épocas passadas de Portugal e do Mundo.

No meio de muitas personagens há priori certas e estáveis, é sobre a corda do equilíbrio que resvala todas as suas vidas.

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